
parte 1 · 2024 · casas ara, cerro del marqués
huellas de historia
y comunidad
Uma residência na colonia de Casas ARA, no Cerro del Marqués, com um grupo de jovens do bairro e o Museo Comunitario del Valle de Xico.
o lugar onde vivemos
“O lugar onde vivemos é Casas ARA, no Cerro del Marqués, em Valle de Chalco, Estado do México, a leste da cidade. Viver aqui no Cerro é como viver numa minicidade e no campo ao mesmo tempo. Tem uma parte onde se planta, se cria gado, e também tem áreas comerciais, centros de lazer, zonas escolares; tem transporte, mas é limitado.
O que a gente mais gosta é que dá para estudar aqui, tem áreas verdes, centros comerciais, às vezes vizinhos bons, a paisagem, porque dá para ver o vale e os vulcões; a gente gosta dos parques, das quadras, do comércio, e tem muitos cachorros na rua e as pessoas cuidam deles.
O que a gente menos gosta é a falta de água: às vezes cortam por dias e, quando volta, vem suja e dura pouco. Não gostamos da poluição e do lixo, dos assaltos e da insegurança, do transporte muito limitado, da falta de internet, da venda de droga e da dependência, dos abandonos e dos maus-tratos aos animais. Não gostamos da corrupção da polícia.
Teria que colocar mais recursos nas escolas, nos hospitais e na saúde, porque é muito difícil encontrar profissionais; teria que limpar mais as ruas do bairro. A gente também mudaria as moradias.”
Nesta oficina a gente situou o bairro fazendo um mapa do território, aprendeu a tirar fotos com câmeras analógicas, aprendeu também a fazer entrevistas e gravar. Isso nos mostrou as carências da colonia, a escassez de recursos, mas também a abertura e a gentileza das pessoas.
as e os participantes de casas ara

parte 1 · 2024
O grupo começou pelo chão: uma cartografia sensível do bairro, desenhada a várias mãos, onde se coloca o que se conhece antes do que aparece nas plantas oficiais. Depois chegaram as câmeras analógicas e, com elas, uma restrição útil — trinta e seis poses, nenhuma a mais. Por fim os microfones, para ir perguntar a vizinhas, comerciantes, gente que passava.
O que voltou dos filmes não é uma reportagem sobre pobreza. É um inventário de afetos: uma caixa d’água vazia que continua majestosa, tênis pendurados nos fios como notas musicais, uma mulher tocando sua barraca de comida, um mototáxi esperando passageiros, vestidos de baile pendurados na rua com o sol de refletor.
A restituição aconteceu no próprio território: cópias coladas nos muros do bairro e na escola, com QR codes para ouvir as entrevistas. A exposição ficou onde tinha sido feita, à vista de quem ela conta.
as fotografias e seus textos
Os títulos e os textos são os que as e os participantes escreveram. A versão em espanhol é a original.

parte 1 · 2024 · casas ara, cerro del marqués
gran vacío
grande vazio
Esse reservatório, visto desse ângulo, deixa ver toda a sua majestade; mas está vazio e sem nenhuma utilidade para a comunidade.
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el lenguaje del sol
a linguagem do sol
Isso enche de vida e de calor: parece que cada pétala captura e envolve os raios do sol. Descrevi por causa da natureza que se percebe nela, porque cada detalhe compõe e cria algo único.

la danza del aire
a dança do ar
Os fios representam cordas musicais aproveitando a melodia do céu e do vento. Os tênis simbolizam as notas. Escolhi essa foto pela beleza dela e pelo que ela reflete.
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juventud en el oriente de los volcanes
juventude a leste dos vulcões
A juventude é uma amostra da grande diversidade cultural que existe em Valle de Chalco, aquilo mesmo que os une e os torna alegres, fortes e sonhadores.

hogar pequeño
lar pequeno
Escolhi essa foto porque essa unidade mostra como as pessoas conseguem fazer de um lugar tão pequeno um lar, um lugar acolhedor. São casas muito pequenas que as pessoas vão modificando para o bem da família.
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parte 1 · 2024 · casas ara, cerro del marqués
sazón mexicano
tempero mexicano
Mostra uma mulher vendendo na sua barraca de comida. Escolhi essa foto porque mostra o trabalho duro que as pessoas fazem todo dia.
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rutas de vida
rotas de vida
Reflete o dia a dia de quem trabalha no transporte público nas comunidades de Valle de Chalco, mostrando seu papel essencial na mobilidade urbana. Descrevi esta fotografia pelo impacto e pela importância que ela tem no deslocamento diário das pessoas.

manejando a mi destino
dirigindo ao meu destino
A fotografia mostra um motorista, e eu dou a ela este sentido possível: somos nós mesmos que decidimos a direção da nossa vida e do nosso destino, assim como só nós decidimos a rota que queremos tomar. Escolhi essa foto pelo sentido pessoal que dou a ela e pelas cores bonitas que se projetam nela.
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aroma a barro
cheiro de barro
Escolhi essa foto porque é uma barraca habitual para mim. As panelas e os jarros são de uso comum no meu dia a dia. Além disso, o barro solta um cheiro bom quando molha.

recién horneado
recém-saído do forno
Escolhi essa foto porque o cheiro nas padarias é agradável.
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parte 1 · 2024 · casas ara, cerro del marqués
esperando su baile
esperando o seu baile
Venda de saias e vestidos tradicionais para o dia a dia ou para os bailes das escolas. O palco deles é a rua, o refletor é o sol.
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dando el rol
dando uma volta
Dois jovens andando por uma das principais avenidas. Olham para os fotógrafos com curiosidade.

chofer del barrio
o motorista do bairro
Mototaxista esperando os novos passageiros. Quando perguntamos sobre a foto, ele aceitou gentilmente e posou.
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una tarde de carnitas
uma tarde de carnitas
Vê-se uma série de carnes expostas para os clientes comprarem. Escolhi essa foto pelo que ela dá a entender: a variedade da comida do nosso país e o jeito como nós, mexicanos, apreciamos uma boa carne na brasa, em família ou entre amigos de confiança.

el carrusel mágico
o carrossel mágico
Cavalos girando em volta de outros cavalos. Escolhi a foto porque ao fundo dá para ver vários cavalos bem bonitos que, quando acendem as luzes, num ambiente noturno e iluminado, ficam lindos.
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o que há em volta











a oficina











a exposição no bairro
As cópias foram coladas nos muros da colonia, no pátio da escola, nas grades e nas portas de aço. Ninguém precisou se deslocar para ver a exposição: ela estava no caminho.












as e os autores
Angel · Celeste · Chabanne · Claudia · Daniela · Dulce · Genaro · Karyme · Marlon · Neri · Santiago · Sinahi · Sofía · Vivian

parceiros
Museo Comunitario del Valle de Xico
Arte y Cultura Xico A.C.
mOst — mon œil sur terre
créditos
fotografias e textos dos e das participantes das oficinas — Valle de Chalco Solidaridad, 2024–2025.
más allá de las calles