

retrato · 15 anos · estudante do ensino médio
Zulay Ikarani Amaro Jasso
“Não é a mesma coisa um professor te ensinar ou seus pais te ensinarem.”
Zulay Ikarani Amaro Jasso
A entrevista aconteceu em 7 de novembro de 2025 com Zulay Ikarani Amaro Jasso. É uma adolescente nascida, por questões hospitalares, no município de Los Reyes La Paz, Estado do México; mas sempre viveu e cresceu em Valle de Chalco Solidaridad.
Ela tem 15 anos e hoje estuda no ensino médio, na unidade n.º 88. O objetivo de entrevistá-la era ter o olhar de uma jovem do município. Como estudante, ela viveu dois dos acontecimentos que mais marcaram a escolaridade daqui.
De um lado, no ensino fundamental, os efeitos do terremoto de 19 de setembro de 2017: por causa dos danos na escola, as aulas presenciais pararam e tudo passou para a internet. Ela sentiu esse processo como algo negativo, que não lhe permitiu ter acesso a uma educação de qualidade.
De outro, no ensino fundamental II, a pandemia de Covid, que de novo acabou com as aulas presenciais. Uma segunda vez ela fez parte de uma educação dada pela internet, que não lhe permitiu ter uma formação tão completa quanto gostaria.
Na entrevista, ela falou dos grandes problemas sociais da sua comunidade: a falta de segurança, a falta de água, os buracos nas ruas. Considera que o principal ponto de encontro para a convivência dos moradores é o parque esportivo Luis Donaldo Colosio, mas que esses espaços não são bem aproveitados por falta de manutenção das autoridades. Por fim, diz que gostaria de continuar morando no seu município: apesar de todos os problemas, as pessoas, em geral, são muito solidárias.
a entrevista
Trechos da entrevista gravada, traduzidos do espanhol. A fala foi condensada, nunca corrigida.
Como você viveu o terremoto de 2017 na sua vida escolar?
Basicamente passei toda a escola com um monte de fotocópias aqui em casa. Não aprendi muito, perdi bastante, não aprendi o suficiente como se aprende quando você vai à escola todo dia.
Ou seja, as aulas presenciais foram suspensas?
Sim, porque na hora do terremoto o muro da escola, onde ficavam as salas do terceiro ano, caiu, e não havia mais boas instalações nem segurança para a gente estudar. Aí mandavam as atividades para as crianças fazerem em casa, mas não é a mesma coisa um professor te ensinar ou seus pais te ensinarem. Seus pais ensinam do jeito que eles entendem, podem tentar, mas não é a mesma coisa. Não aprendi igual.
E a pandemia de 2020?
Bastante. Por exemplo, acabou a convivência; quando voltei à escola já não conseguia conviver bem com meus colegas porque não sabia mais como, nem sobre o que falar. E para aprender era muito difícil, porque esses conteúdos você supostamente já viu no fundamental, e quando ensinam de novo no fundamental II, depois da pandemia, eu não conseguia mais entender. Tinha muitos erros de ortografia: foi aí que mais me afetou, na escrita.
Quais você considera os principais problemas do seu município?
A insegurança, a falta de água, o asfalto. Acho que são os que mais afetam.
O que você recomendaria para resolver isso?
Sobre o asfalto: que a prefeitura, em vez de investir em outras coisas, conserte as ruas, os buracos. Sobre a água: que mandem água a cada dois ou três dias, pelo menos, ou que os caminhões-pipa sejam bem distribuídos onde mais falta. Sobre a insegurança: colocar mais câmeras, ter mais vigilância da polícia. Acho que é o máximo possível nessas circunstâncias.
Quais são os espaços de encontro dos jovens em Valle de Chalco?
O Deportivo Colosio, é ali que mais se reúnem, seja para jogar basquete, nos bancos para conversar, jogar futebol e ficar junto.
O município tem os espaços necessários para a vida cultural?
Acho que tem, mas sinto que não aproveitam o suficiente. Tem a hacienda: dá para fazer muitas atividades culturais ali. Se usassem bem, direito, seria um espaço muito bom. Mas sinto que não aproveitam o suficiente.
Você gostaria de continuar morando em Valle de Chalco? Por quê?
Sim, porque apesar das circunstâncias tem gente muito gentil, gente que te apoia quando você precisa de alguma coisa, as pessoas estão sempre apoiando. Acho que eu continuaria aqui principalmente pelo jeito como as pessoas te tratam: em alguns aspectos são muito gentis, em outros às vezes não, mas acho que é um bom lugar para viver. Bom, no meu caso.
Entrevista realizada por Genaro Amaro Altamirano, 7 de novembro de 2025.
voltar aos retratos
sete moradores
María Dolores Martínez Rangel50 anos · dona de casa · corista
Cecilia del Sagrario Losa Arreaga34 anos · comerciante
José Rivera Mendoza53 anos no município · motorista de mototáxi
Daniela Ramírez Hernández29 anos · skatista · cuidadora
Adrián Alvaradofundador, treinador e presidente do Rugby Mictlán
Luz Andrea Quiroz Hernándezartesã · tear de cintura · falante de mixteco
parceiros
Museo Comunitario del Valle de Xico
Arte y Cultura Xico A.C.
mOst — mon œil sur terre
créditos
fotografias e textos dos e das participantes das oficinas — Valle de Chalco Solidaridad, 2024–2025.
más allá de las calles